terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa Tinto 2011

Às vezes a vida tem coisas irónicas ou muitas vezes pronto! Nunca pensei que pudesse beber um dos melhores vinhos com quem estive beber. Não que esta pessoa não tivesse bom gosto, pelo contrário. Mas porque tudo tem um tempo na vida. E esta época surge numa altura de menor celebração. 

Estava eu a dizer que lá bebi o melhor vinho tinto até hoje, na modéstia do meu conhecimento. 

Sentada à mesa do Solar dos Presuntos, em grande companhia, provei o melhor vinho tinto deste nosso Portugal, do Douro. Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa Tinto 2011. Que vinho sublime! Que néctar dos deuses! Que obra prima!

Portugal no seu melhor.

Cor vibrante, forte e vigoroso. Com uma força de aroma elegante e floral, uma verdadeira sensualidade aromática.

Sente-se uma grande complexidade mas com uma leveza de chocolate e fruta madura. É um vinho notável pela leveza e voracidade com que se bebe. Fresco e vibrante. Foi decantado e servido a uma temperatura de 16 graus. Uma estrutura sólida e encorpada, sem grande adstringência, o que de percebe nos taninos suaves. O Douro no seu melhor. Creio que é um vinho para coleccionadores.

Recomendo vivamente a experiência. Absolutamente divinal.


Nota: 10

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Subsídio Tinto 2013


Excelente vinho tinto Alentejano. A trazer orgulho à região do Alentejo, este tinto pertencente à casa Lima Mayer. Com as castas , Alicante Bouchet, Syrah e Cabernet Sauvignon, confere ao vinho tinto estrutura e ao mesmo tempo leveza com muitos toques de frutos o que o torna muito agradável para uma tarde descontraída de Outono. Sente-se a fruta do vinho, quando se bebe existe uma sensação adocicada de cereja, algo prolongado o que faz deste vinho tinto mais suave. 
As castas do subsídio no que confere a aromas e sabores conferem sabores intensos, complexos, firmes e muita cor, o que faz do Subsídio Tinto de 2013, um bom vinho que recomendo. Nota: 8.5

terça-feira, 14 de julho de 2015

Catapereiro Vinho Branco 2012



Ainda por terras de Lisboa, descobrimos outro vinho branco delicioso. O calor e as férias pedem mais estes vinhos. Lisboa sempre a marcar pontos.
O Catapereiro Branco de 2012 da Companhia das Lezírias, companhia de exploração agrícola centenária, sobrevive ao longo dos tempos a vários regimes políticos e momentos de crise, vem a partir da década de 90 mostrar a sua raça com vinhos de excelente qualidade.

Este vinho branco com uma cor cristalina, de aroma muito frutado e floral, fácil de gostar, fácil de beber e sobretudo uma boa experiência. Nota: 8.5

Mar de Lisboa Branco 2013


Na senda dos vinhos de Lisboa e novamente a Quinta da Chocapalha, outro vinho branco absolutamente delicioso. Castas de Arinto e Verdelho, confere ao vinho uma doçura equilibrada, percebe-se mais mineralizado que o Mar da Palha, mas com um agradável sabor. É um vinho muito fresco, jovem e leve. Tem um aroma e sabor mais citrino e tropical. Igualmente com uma imagem muito apelativa e bem construída, este vinho entra na categoria dos brancos de à beira da praia, sem ser acompanhado por mais nada. Nota: 8.8


Clarete 2006 Quinta do Monte d'Oiro



Tudo à volta do vinho tem uma imensa e longa história para contar. O vinho começa há tantos séculos atrás que o património é gigante e sobretudo com uma evolução que me deixa quase sempre vários dias a descobrir os infinitos detalhes de um assunto que até parece pequeno.
Há uns anos atrás descobri o clarete, com a marca Clarete 2006, Quinta do Monte D’Oiro do produtor José Bento dos Santos. Absolutamente imperdível. Primeiro porque esta é uma nova classificação, pouco conhecida e surpreendente. Surpreendente porque é qualquer coisa entre o vinho tinto e o vinho rosé, com uma leveza no aroma e no sabor únicas. Depois porque o vinho é absolutamente divinal. A sua produção foi bem conseguida, respeitou os aspectos primordiais da essência do clarete.
Muitos de vocês não saberão que existe este tipo de vinho chamado Clarete. O clarete é uma especialidade de Bordeaux era um vinho que há vários séculos atrás era muito exportando para o Reino Unido. Isto na Idade Média. O termo original é clarait em francês e rapidamente começou a ser usado com a pronúncia inglesa como claret, para descrever o Bordeaux tinto. O clarete tem uma personalidade mais vigorosa que um vinho rosé, mas é menos tânico que um tinto. Isto é claro, porque o método de produção deixa muito pouco tempo as cascas no processo de vinificação e por isso ganha menos cor e tem menos taninos. Tem cor rosa-escura ou rubi claro, tem uma cor linda, limpinha e brilhante, é frutado e muito fácil de beber. É um vinho que se deve beber fresco, mas não muito fresco, diria que nos 12º.

Este vinho pouco colorido ou tinto claro que dá pelo nome clarete em Portugal ou palhete tem um processo que adiciona uvas brancas. As informações de percentagem de uva branca são díspares nas várias fontes. Mas nem sempre este vinho é obtido com uvas brancas, pode ser apenas uvas pretas cujo processo de permanência da casca da feitura do vinho é mais diminuto, fazendo, como já referi, com que a sua cor seja clara e límpida. Um dos melhores vinhos que seguramente provei. Nota: 9.2

Mar da Palha Branco Sauvignon Blanc 2013


Fresco e brilhante. É a primeira imagem que temos quando provamos. Este vinho sabe a praia, sabe a mar, num contexto de estender a perna e arrebatarmo-nos com a indolência que as férias de verão nos oferecem. Bebido com o som do mar e com o sol a picar na pele, é uma delícia.
Quando cheiramos percebemos que é frutado, com pequenas notas de frutos tropicais, mas é na boca que ganha mais, de sabor fresco e prolongado, liberta uma leveza e um excelente equilíbrio na acidez. Este vinho proporciona momentos de grande descontração.
A sua imagem é altamente apelativa, convida a lembrarmo-nos sempre dele. O seu nome pelas origens do vinho de Lisboa, tem cada vez mais a minha consideração.
Da Quinta da Chocapalha, com 45 hectares de vinho, é uma quinta centenária em Alenquer, que nas últimas décadas sofreu uma evolução enorme nas novas técnicas de produção de vinho e de cultivo, em boa hora. Nota: 8.9

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Temperatura Ideal


Algo polémico este assunto entre os consumidores. Tudo o que diz respeito à temperatura do vinho deve ser tomado em consideração para todos os tipos de vinho, mas interessa-me mais falar do tinto, porque não é tão óbvio que deva ser bebido desta ou daquela maneira. 
De volta e meia, encontramos os vinhos servidos à temperatura ambiente. Por si, esta palavra ambiente já pode ser aterradora. De volta e meia, não temos informação sobre a que temperatura deve ser bebido o vinho. Por isso, os mais acautelados andam para todo o lado com o termómetro, como forma de garantirem que bebem o vinho no seu melhor: à temperatura ideal. Mas se não há indicação é um tiro no escuro. 
Ora se consegue acertar e se faz uma prova revelando todos atributos que o vinho tem, para deleite do consumidor. Ora não se consegue acertar e quase com a garrafa no fim acabamos por ficar desconsolados, achando por vezes que o vinho não seria tão bom, mas nem percebendo que podemos ter arruinado uma prova só pela temperatura.
Neste assunto também temos uma dispersão do que se acha e o que deve ser e sobretudo criar experiências como consumidor. Existem aqueles que, independentemente de tudo, consomem o que quer que escolham e nem pensam nisso. Existem aqueles que acham que o arrefecimento do vinho tinto é uma pateguice e que o vinho tinto deve ser bebido à temperatura ambiente. Depois, existem aqueles como eu que acham que cada vinho tinto é uma  personalidade e que a sua temperatura é absolutamente essencial para a concretização da experiência. 
Não tenho nada contra nem a favor sobre os que não se importam ou os que querem vinho à temperatura ambiente. Mas se pensarmos bem nisto, concluímos que os que não se importam, também não se importam com a experiência, mero acto de beber. Os que acham uma pateguice, gostam em temperatura ambiente, apenas pode ser por pura herança de conhecimento, ou seja, aprenderam, assim. 
Tenham em consideração o seguinte: Dezembro, salas de restaurante aquecidas servem vinho tinto na ordem dos 22 a 24 graus, isto quando a sala não está excessivamente quente devido à cozinha, podendo até chegar a temperaturas mais altas. E mais, nem sempre sabemos onde o vinho é guardado. Acontece a maior parte das vezes que o vinho está ali ao pé de nós, nas mesmas temperaturas a que estamos expostos. Não é à toa que o vinho deve ser preservado em caves mais frescas e escuras, não sendo sujeito a processos que o podem degradar. Saber guardar o vinho e saber servir o vinho à temperatura ideal pode ser quase assombroso, pelo que me apercebi nos ultimo tempos, mais atenta a este tipo de factos. Mas compensador.
Bem sei que ninguém gosta de ler grandes testamentos sobre nada, mas fica aqui apenas um alerta sobre como aumentar a excelente experiência de vinho tinto.
Já agora, para os mais distraídos. O vinho tinto deve ser bebido da seguinte forma, os mais leves e novos de 14º a 16º, os médios de 16º a 17º, os mais velhos e encorpados de 16º a 18º. No entanto, o ideal sempre é respeitar o que o produtor diz no contra-rótulo, sempre que houver indicação. Mas daqui retire-se uma lição, o respeito pelas temperaturas é fundamental para a boa experiência, mas o que cada um gosta ainda mais.
Na parte que me toca, gosto de conseguir a temperatura ideal e sempre que acontece e o vinho tinto é bom, a experiência torna-se excepcional.
Boas provas.