segunda-feira, 11 de maio de 2015

JMF Branco




Surpreendentemente não existe nesta garrafa o ano de engarrafamento do vinho. Procurei e não encontrei. Depois de pesquisar no site da JMF encontrei que o último engarrafamento foi em 2012.

Apenas um nota introdutória para a casta Fernão Pires. Esta é uma das castas brancas mais plantadas em Portugal, no centro e sul, especialmente na zona da Bairrada (onde é conhecida por Maria Gomes), Estremadura, Ribatejo e Setúbal. Esta casta é uma das primeiras a fazer a vindima uma vez que cresce rapidamente. Tem uma acidez baixa ou média, por isso os vinhos produzidos ou misturados com esta casta têm intensos aromas florais.


JMF Branco é um vinho produzido a partir das castas Fernão Pires (80%) e Moscatel de Setúbal. É de cor amarela , tem um aroma frutado, quando provei senti uma ligeira gaseificação, é vinho algo citrino. Nota: 6.5 (0-10)

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Couteiro Mor Branco Colheita 2012


Ao longo dos anos assistimos de facto a uma melhoria dos vinhos brancos portugueses. Uma melhoria que percebemos pela variedade de vinhos brancos com personalidade, aromas e sabores deliciosos. No cultivo das castas brancas nacionais, encontram-se hoje  seleccionadas as melhores para o fabrico de vinhos brancos, merecem o reconhecimento internacional pelos seus atributos superiores e de grande qualidade.

O Couteiro Mor Colheita 2012 é sobretudo um vinho com uma excelente relação qualidade preço. 
Este vinho Alentejano pertence à Herdade do Menir. Nos brancos, esta herdade, cultiva as castas Antão Vaz, o Chardonnay, o Roupeiro, o Arinto e o Viognier. Uma pequena nota para a casta Roupeiro. Trata-se da casta Síria, já foi a casta mais cultivada na região Alentejana, no entanto, o facto de ter temperaturas muito elevadas não era benéfico no seu desenvolvimento. Começou-se depois a desenvolver o seu cultivo em terras mais frescas, onde se desenvolve melhor.

O Couteiro Mor Branco Colheita 2012 foi produzido com as castas Antão Vaz, Arinto e Roupeiro. Oferece-nos visualmente uma cor amarela límpida, de aroma bastante floral e frutado, na boca algo citrino e tropical, sente-se bem a acidez. É um vinho equilibrado. Nota: 7.0 (0-10)

Pacheca Tinto Superior 2012



Mais um vinho da Quinta da Pacheca a não nos deixar ficar mal. É um excelente vinho tinto este, 2012.   

Tem como castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca. Só uma pequena nota para a Touriga Nacional, a mais nobre casta portuguesa. Começou por ser cultivada no Douro mas rapidamente passou a ser cultivada noutras regiões. Os seus bagos são muito doces e tem uma boa capacidade de envelhecimento.

Destaco neste vinho a imagem elegante do rótulo, uma imagem sofisticada, que vai bem com o vinho que é.

O Pacheca Tinto Superior 2012, tem uma cor rubi forte e uma lágrima extraordinária, quando rodamos o copo. Na boca sente-se uma explosão de sabores que vou tentar descrever, dado que não sou nenhuma especialista da matéria. Sente-se a baunilha e a madeira, no prolongamento parece que saboreamos figos, alguma canela e anis, sentem-se especiarias. É um vinho cheio de força, sentem-se bem os taninos. É um vinho bastante complexo e sofisticado. Nota: 8.1 (0-10)

terça-feira, 5 de maio de 2015

Icewine Pilliteri Cabernet Franc 2004



Muitos de vocês sabem o que é Icewine, mas hoje escrevo para os que não sabem e faço nota de prova do Pilliteri Cabernet Franc 2004.

A natureza tem um efeito incontornável em qualquer produção de vinho. Se pensarmos que o clima, as contingências de exposição dos terrenos ou de eventos não esperados, sabemos que não conseguimos controlar a natureza e felizmente esta é uma das situações mais enigmáticas da produção de vinho e talvez aquela que nos dá sempre uma sensação de redescoberta nas mesmas marcas ao longo dos anos. No Icewine sente-se o poder da natureza e consegue-nos proporcionar uma experiência única e um momento de deleite. Não é comparável.

Como introdução do Icewine julgo que vale a pena perceber a origem e a produção. Este vinho pertence à categoria dos vinhos sobremesa, é uma espécie de néctar, com um sabor intenso de fruta e delicioso, asseguro-vos.

Não existe uma definição exacta para sabermos qual a origem deste vinho, sendo que se acredita que o primeiro produtor possa ter sido a Alemanha, no entanto o grande produtor neste momento e talvez o mais evoluído será o Canadá. Este que provámos era do Canadá.

O extraordinário deste vinho doce é que é feito a partir das uvas congeladas, concentra em si um elevado nível de açúcar, pois o mosto leva a uma fermentação muito mais lenta do que o normal. Pode levar meses para completar a sua fermentação (em comparação com dias ou semanas para os vinhos regulares). Por causa do menor rendimento dos mostos das uvas e da dificuldade de processamento, os Icewine são significativamente mais caros do que os outros vinhos e geralmente são vendidos em garrafas mais pequenas, desde garrafas de 50 ml até 350 ml.  
São precisos meses desde a colheita da uva até ao engarrafamento. Nos meses frios as uvas vão murchar e congelar nas videiras, concentrando os açúcares, os ácidos e as essências frutadas. É o toque da natureza e do gelo que vai determinar a qualidade do Icewine. As uvas são colhidas numa temperatura de 7 ou 8º negativos, em condições adversas. Como referi, são precisas mais uvas para fazer um determinado volume de Icewine do que o normal dos vinhos e o tempo de espera prolongado das uvas nos terrenos deixa-as susceptíveis a serem comidas por aves ou mesmo expostas a certas doenças, ao mofo, à chuva e ao vento que podem arruinar uma produção completa. E é por isso que é o vinho mais caro do mundo. A produção do Icewine é um jogo contra a mãe natureza, que muitas vezes resulta em rendimentos baixos de produção, e às vezes inexistentes, lutando contra congelamento e sono, quem apanha estas uvas entra numa corrida contra o tempo. Só pela produção este vinho já é notável e digno de uma prova.

Icewine é doce, como outros vinhos de sobremesa, mas as uvas usadas para fazer isso geralmente não estão infectadas com a podridão nobre. Podridão nobre é causada pelo fungo botrytis cinerea, e o sabor que confere ao vinho é uma parte fundamental de alguns famosos vinhos de sobremesa, no Icewine não entra.

As castas do Icewine podem ser muitas, aliás podemos encontrar à venda Icewine de Riesling, Gewürztraminer, Vidal, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon e outras. Este que provei era canadiano com a casta Cabernet Franc. Esta é uma casta leve e suave, de médio corpo e muitas vezes apresenta características vegetais, tem um aroma de frutas tropicais e especiarias.

O sabor deste Icewine Pilliteri Cabernet Franc 2004 é uma espécie de perfume para o palato, leve, com um sabor de pêssego, damasco e mel, foi uma notável e excelente experiência, recomendo num bom almoço entre amigos, uma boa gargalhada e histórias de vinho.

Apenas para finalizar, julgo que não existe nenhum produtor em Portugal de Icewine.
Nota: 8.7 (0-10)

Segredos de S. Miguel Reserva 2013



Deixo-vos aqui outro vinho da Herdade de S. Miguel. Já tínhamos provado o Herdade de São  Miguel Branco, com excelente nota. Desta feita o Segredos de S. Miguel Reserva Tinto 2013.
A Herdade de S. Miguel, deste vinho, está situada no concelho do Redondo, no Alentejo. Apresenta-nos nesta marca o Branco, Tinto, Rosé e Reserva Tinto. 

O Segredos de S. Miguel Reserva 2013 é um vinho Reserva Tinto reconhecido mundialmente, uma vez que foi distinguido no concurso mundial de vinho 2014 com uma medalha de prata.

As castas seleccionadas para o Segredos de S. Miguel Reserva 2013 foram Alicante Bouschet, Aragonez, Touriga Franca e Touriga Nacional.

É um vinho com uma cor rubi densa, o aroma é frutado e muito bem estruturado. Na boca no início percebe-se a madeira e baunilha, tem notas de especiarias e de chocolate no final. O final é prolongado e muito suave. Nota: 8.1 (0-10)

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Tons de Dourum Branco 2014




Tenho um fraquinho pelos vinhos do Douro, não porque goste mais desta região, mas pelas experiências que já tive com os vinhos que fui bebendo e regra geral são quase sempre bons. Pelo menos para mim. Julgo que os vinhos reflectem sempre a sua origem e por isso deixam uma marca que não pode ser confundida.

As castas deste vinho são Viosinho, Rabigato, Verdelho, Arinto, Moscatel Galego. Apenas uma pequena introdução às duas primeiras castas: O viosinho é apenas cultivada nas regiões do Douro e de Trás-os-Montes, onde já é utilizada desde o século XIX. Esta casta produz vinhos bem estruturados, frescos e de aromas florais complexos. Normalmente são capazes de permanecer em garrafa durante alguns anos. A casta Rabigato tem uma elevada acidez natural, produz vinhos normalmente de qualidade elevada e com uma razoável capacidade de envelhecimento, apresentam aromas de intensidade mediana, doce, lembrando flores de laranjeira, com notas mais vegetais e no gosto são equilibrados e frescos. 

O Tons de Dourum Branco 2014 é um dos projectos de João Ramos Portugal que pretende congregar os melhores vinhos das várias regiões de Portugal.

O Tons de Dourum Branco 2014 prima por uma imagem bonita e convidativa. Tem uma cor amarela citrina. Quando aberto sentimos os aromas citrinos e é bastante frutado. No sabor é leve e tem algo picante e ligeiramente vegetal. É um vinho de sabor prolongado, muito fresco e floral. 
É um vinho com uma excelente relação qualidade-preço. Sempre uma boa desculpa para desfrutarmos de um bom vinho. Nota: 7.9 (0-10).

Como provar um vinho



Aprenda a provar o vinho com base em 4 simples passos. Este método é muito simples e pode ser executado por qualquer pessoa, tem por base os melhores métodos dos profissionais e dos Sommeliers.

1. Ver
Confira a cor, opacidade e viscosidade. Não precisa de mais de 5 segundos nesta etapa.














2. Cheirar
Escolher pelo menos dois sabores e demorar o tempo que for necessário identificando-os. Existem 3 tipos de aromas de vinho:

Aromas Primários: vem das uvas, como as frutas, vegetais e notas de flores.
Aromas secundários vem da fermentação e dos aromas da levedura.
Aromas terciários vem do envelhecimento, oxidação e carvalho, tais como especiarias cozimento, aroma de nozes e baunilha.

3. Provar
Dois elementos compõem os gostos: sabor e a estrutura.

Sabores tais como limão, framboesa ou côco.
Estrutura, tal como o nível de doçura, corpo, álcool, acidez, e taninos: perguntam vocês o que são os taninos? Os taninos são componentes encontrado em todos os vinhos, mas com maior percepção nos vinhos tintos. No vinho, os taninos, provêm das cascas, das folhas, das sementes e dos engaços do fruto, funciona como um instrumento de defesa ou protecção das plantas e dos frutos. pois liberta um gosto amargo inibindo o ataque dos predadores. Os taninos no vinho dão a complexidade ao fermentado, melhorando sua estrutura, textura e persistência).
Perfil A prova do vinho é também baseada no tempo, há um começo, meio (meados de palato) e um fim (acabamento).

4. Concluir
Será que o gosto de vinho é equilibrado ou desequilibrado? Gostei do vinho? Este vinho foi único ou memorável? Houve alguma características que me impressionaram?

Boas provas!